PM registra ocorrências por agressão e lesão corporal contra crianças no Cemei Professora Carminda Conceição, em Lagoa Grande

Polícia Civil apura denúncias que, se confirmadas, podem configurar maus-tratos majorados pela menoridade ou tortura; envolvidas foram afastadas.
Imagem extraída das câmeras de videomonitoramento do Cemei, em Lagoa Grande. Os rostos foram preservados para evitar a identificação das crianças.

A Polícia Militar registrou ocorrências relacionadas a suspeitas de agressões e lesão corporal contra crianças no Centro Municipal de Educação Infantil (Cemei) Professora Carminda Conceição da Silva, localizado no bairro Céu Azul, em Lagoa Grande, no Noroeste de Minas Gerais. Os registros apontam situações envolvendo funcionários da unidade e crianças que estavam sob os cuidados da instituição.

De acordo com os três boletins de ocorrência registrados até o momento, os casos vieram à tona após familiares terem acesso a imagens do sistema de videomonitoramento interno da creche. Em um dos registros, os pais de uma criança de 1 ano relataram ter tomado conhecimento de gravações nas quais uma funcionária teria adotado condutas agressivas contra a criança.

Segundo o relato registrado pela Polícia Militar, em um dos vídeos seria possível observar uma funcionária tocando com o pé na cabeça da criança. Em outra gravação, outra funcionária teria segurado a criança pelos braços e realizado movimentos descritos no boletim como abruptos, em um contexto de repreensão.

Ainda conforme o registro policial, em outro trecho uma funcionária teria dado um tapa na cabeça da criança, fazendo com que ela caísse. Na sequência, segundo o relato apresentado aos policiais, a criança teria sido levantada pelo braço e colocada em outro ponto do ambiente, onde havia outras crianças.

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Outro boletim registra o relato dos pais de uma criança de 1 ano e 6 meses, que afirmaram ter tomado conhecimento, por meio das imagens de videomonitoramento, de uma funcionária que teria manuseado a criança de forma considerada pelos familiares como violenta. O registro menciona que a criança teria sido levantada por um dos braços e transportada para outro ponto do ambiente.

Os pais também relataram à Polícia Militar que outros responsáveis por crianças matriculadas na instituição teriam informado ter visto, nas gravações, comportamentos semelhantes. As imagens foram encaminhadas à Polícia Civil para conhecimento e adoção das providências consideradas cabíveis.

Há ainda registro de outro caso envolvendo uma criança que, segundo o relato de familiar, teria retornado da creche em junho de 2026 com uma lesão no cotovelo direito. Posteriormente, em setembro, a criança teria retornado novamente da unidade apresentando uma lesão semelhante no braço esquerdo. O boletim registra que a família buscou esclarecimentos junto à instituição e posteriormente teve acesso a arquivos de imagens relacionados ao período investigado.

As ocorrências foram encaminhadas à Delegacia de Polícia Civil de Presidente Olegário, responsável pela apuração dos fatos. Os boletins registram que os arquivos de videomonitoramento foram disponibilizados às autoridades policiais e que também houve orientação para preservação do material para eventuais requisições durante a investigação ou processo.

Polícia Civil instaura inquérito e apura denúncias

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou ao PoHoje que instaurou inquérito policial na Delegacia de Polícia Civil de Presidente Olegário para apurar as denúncias de agressões contra crianças no Cemei Professora Carminda Conceição da Silva, em Lagoa Grande.

Segundo a PCMG, os fatos estão sendo investigados para definir a capitulação legal das condutas, que, conforme as circunstâncias apuradas, podem configurar maus-tratos majorados pela menoridade ou tortura.

A investigação está avançando em diferentes frentes. As imagens do sistema de videomonitoramento foram requisitadas à Prefeitura de Lagoa Grande e estão sendo analisadas pela equipe de investigação e pela perícia técnica.

A Polícia Civil informou ainda que os pais das crianças envolvidas estão sendo ouvidos. Os relatórios médicos apresentados pelos familiares fundamentaram a requisição de exames de corpo de delito (ACD) junto ao Posto Médico-Legal (PML), com o objetivo de verificar e documentar eventuais lesões.

As funcionárias citadas nos registros policiais também serão ouvidas formalmente pela autoridade policial em momento oportuno.

A PCMG informou que mantém a apuração dos fatos e reforçou o compromisso com a proteção integral das crianças. A corporação também afirmou que novas informações serão divulgadas à medida que o andamento das diligências permitir.

Prefeitura informa afastamento das funcionárias

Em nota de esclarecimento, a Prefeitura de Lagoa Grande informou que tomou conhecimento dos fatos envolvendo crianças em uma unidade da rede municipal e que adotou imediatamente as providências necessárias.

Segundo a administração municipal, após receber as informações e os registros do ocorrido, houve contato com as autoridades policiais e foi iniciada a apuração dos fatos. A Prefeitura informou ainda que as envolvidas foram afastadas de suas funções, enquanto as circunstâncias do episódio são investigadas pelos órgãos competentes.

A administração municipal afirmou também que mantém o compromisso com a proteção, o sigilo, a segurança e o bem-estar das crianças do município e que serão adotadas as medidas cabíveis após o esclarecimento dos fatos.

Imagens não serão divulgadas pelo portal

Os vídeos das câmeras de monitoramento, que registraram as agressões relatadas na ocorrência, não serão exibidos pelo PoHoje. As imagens mostram diversas crianças no ambiente e, em respeito à proteção da imagem, à privacidade e à dignidade dos menores, o material não será divulgado, evitando qualquer possibilidade de identificação ou exposição das crianças envolvidas.

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