Em greve, professores da rede estadual de ensino fazem protesto em frente as escolas

Professores estão de greve há 12 dias. Aulas são parciais.

Os professores que estão em greve por tempo indeterminado na rede estadual de ensino no município de Presidente Olegário há doze dias fizeram um protesto na manhã desta segunda-feira (2), em frente as escolas estaduais.

A greve teve inicio no dia 11 de fevereiro pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (SindUTE-MG) em todo o Estado de Minas Gerais.

No município de Presidente Olegário os professores aderiram ao movimento nos dias 19 e 20 de fevereiro, na Escola Estadual Padre José Andre Caldeira Coimbra (17 servidores), as aulas são parciais, Cesec Tancredo Neves (8 servidores), aulas suspensas, e na Escola E. Ponte Firme – Distrito de Ponte Firme – (1 professor) aulas normais. As demais escolas nenhum servidor aderiu a greve e tem aula normal.

Na manhã desta segunda-feira (2), os professores protestaram em frente a Escola Estadual Padre José Andre Caldeira Coimbra e o Cesec Tancredo Neves com cartazes a apitaço. A categoria divulgou uma nota de esclarecimento sobre o movimento. (No final da reportagem).

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A categoria reivindica quitação do 13º salário de 2019, propostas de pagamento do piso salarial, pagamento no 5º dia útil, isonomia no tratamento do serviço público estadual, dentre outas cobranças.

Aprovação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Os deputados em fevereiro, em segundo turno, o projeto de Lei do Governo de Minas, que concede recomposição salarial de 41,7% aos servidores da segurança pública. O texto foi aprovado com 66 votos a favor e dois contra. O pagamento será pago em julho deste ano, 2021 e 2022.

Uma emenda que contempla os servidores da educação básica e outros servidores do Estado de Minas Gerais com recomposição salarial foi aprovada por 47 votos favoráveis e 19 contra.  A recomposição é de 31% para a educação e 28,82% para demais categorias. A recomposição será paga entre 2020,2021 e 2022.

Na última semana o partido Novo do Governador Romeu Zema entrou com uma ação de constitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF) para barrar o aumento para todas as categorias.

O governo de Minas tem até o dia 17 de março para decidir se vai sancionar ou vetar o projeto e ainda não se posicionou oficialmente sobre o que o governador vai fazer.

De acordo com a Superintendência Regional de Ensino (SRE) de Patos de Minas composta por 14 municípios, tem 427 servidores de greve na jurisprudência da 28ª SRE. Sendo 265 servidores em 13 escolas de Patos de Minas, 47 em Lagoa Formosa (duas escolas), 42 Lagoa Grande (uma escola), 26 Presidente Olegário (três escola) , São Gotardo são 25 (uma escola), Varjão de Minas 21 (uma escola) e Lagamar um servidor em uma escola.

NOTA DE ESCLARECIMENTO À SOCIEDADE OLEGARIENSE
Existe uma campanha contra o serviço público, inclusive na esfera federal e, sobretudo contra o professor, inibindo o apoio da população às causas da classe. No estado de Minas Gerais, por exemplo, existem alunos sem aula em função das matrículas online ser um fiasco, mas o governo atribui essa evasão à greve dos professores.

Para contrapor essa “campanha”, estamos aqui para esclarecer à nossa sociedade a razão de estarmos em greve:

✓ A princípio já é sabido que nós professores estamos há vários meses recebendo nosso salário em parcelas. O décimo terceiro de 2019 não foi pago a grande parte dos profissionais da educação até hoje. E não há uma previsão para esse pagamento.

✓ Em segundo, pedimos a isonomia no tratamento do serviço público mineiro. Ou seja, se o governo aprova o aumento para uma classe, independente de qual seja, também deve aprovar aumento para outras classes. Não estamos contra o aumento da segurança, apenas queremos que se tenham aumento, outras classes como saúde e educação também tenham. O governo afirma que a classe da segurança é a menos contemplada com a correção da inflação no salário, mas ignora que a educação mineira não recebe o piso salarial nacional e que está há três anos sem reajuste.

✓ Com a proposta de Recuperação Fiscal de Minas, ficam congelados os salários de todo setor público por mais três anos, além de suspenderem-se as nomeações em concurso público. Com isso, o salário do professor mineiro ficaria seis anos consecutivos sem reajuste.

✓ Nos bastidores do governo há uma previsão de alterações na lei que podem fazer com que os profissionais do serviço público percam a estabilidade e possam inclusive ser demitidos ou transferidos sem qualquer parâmetro justo. Juntamente com essa proposta, existe também aquela que prevê a redução da carga horária e dos salários dos profissionais.

✓ Além disso, o governo ainda prevê uma reforma na contribuição previdenciária dos profissionais em que o desconto no salário dos servidores pode chegar a 22%.

✓ Existe uma lei que prevê que 25% dos recursos do estado sejam investidos em educação. Isso não está sendo cumprido. No ano passado foi investindo apenas 18%. Isso significa menos recursos para as escolas e menos materiais e condições para uma educação ideal para os alunos. Algumas escolas não têm merendas e outras chegaram a ter linhas telefônicas cortadas por falta de pagamento.

✓ Recentemente o governo implantou, como já mencionado, a informatização dos processos de matrícula, enturmação, e outras atividades ligadas à educação. Além de serem falhos, esses mecanismos resultarão em muito pouco tempo, na demissão de profissionais. Também houve casos de encaminhar matrículas de alunos para escolas distantes de suas casas.

✓ Por fim, mas não menos importante, o governo oferece atualmente um modelo padronizado e mecânico de educação, em que o professor é refém de planejamentos prontos que não respeitam a individualidade dos alunos e as questões específicas de cada escola e cada região, igualando escolas de zona rural a escolas de grandes centros. Isso tudo colocado para o professor sem qualquer organização, cobrando dele resultados e datas muitas vezes humanamente impossíveis de serem alcançados.

Esses são motivos que nos levam a crer que a educação não é uma prioridade para o atual governo, e é justamente por causa desses motivos que estamos em greve.

Ressaltamos que a Escola Estadual Padre José André Caldeira Coimbra está funcionando parcialmente. Para maiores  informações entrar em contato pelo número 3811 1321.

Quanto à carga horária das matérias cujos professores estão em greve, será reposta de forma a não prejudicar os alunos. Visto que nosso foco é a educação, atentar contra isso seria o contrário do que almejamos.

 

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